Quer ouvir pelo que passo profissionalmente nos dias atuais??? Então senta que lá vem história!!
Tenho certeza que encontrarei ressonância em muitos profissionais.
Sou formada em Direito, com OAB e tudo. Mas gosto de pensar que isso foi em outra vida pois eu tinha acabado de fazer 22 anos quando recebi minha carteira profissional. Só que como na maioria das profissões uma coisa é a teoria. Ir para o mundo real sem estar preparada é pedir para ser engolida. E foi assim que para lamentos do meu pai, desisti com "gosto" desta carreira.
Sempre tive um lado artístico aguçado. Sempre adorei informática, apesar de ter aprendido tudo por conta própria, como era tradição na época do windows 95 ... fuçando. Sempre fui fera com textos, redações, palavras. Amo ler. Não fiz publicidade ao invés de Direito pois eu tinha 16 anos na época do vestibular, e meu pai dizia que quem fazia comunicação era maconheiro. OK. Eu era muito novinha e fui fazer o que papai mandou... ôoo inocência. Depois de formada e desistindo da carreira, passei por fases tristes como não conseguir trabalho por ser "advogada".
"Sabe crianças, tem carreiras que te estigmatizam como Direito, Medicina, Odonto, Diplomacia, etc. Se você se formar nelas mas depois quiser ser por ex. padeiro em uma padaria, a não ser que o negócio seja SEU, nunca irão te empregar".
Isso deveria vir escrito em letras garrafais na inscrição do vestibular!
Todo esse período consumiu minha década de 20, e lá pelos 29 anos, estava pronta para o novo, mas perdida como um "cego em um tsunami".
Só conseguia algum emprego se escondesse este pequeno "detalhe". Mas era questão de tempo perceberem a diferença. No dia a dia me destacava naturalmente, e virava o alvo da inveja dos colaterais e de meus superiores com medo de eu lhes tirar o lugar. E lutei muitos anos com isso até que fiz um curso livre de gestão de pessoas no Senac. Lá com um professor, entendi o quanto incomodam as pessoas que fazem além, olham para fora da caixa. Essa é nossa cultura: faça apenas o que te pedem, ou "façam de conta que trabalham e se importam muito", que é muito esforçado e não esqueça: puxe sempre o saco do chefe. Assim ele também faz de conta que você é competente.
Fiz esse curso para entender a lógica dos processos seletivos atuais que na minha opinião são ultrapassados, tacanhos e com "lógicas e conceitos" próprios muito duvidosos. Obsoletos!!! E a grande parte dos gestores das empresas não consegue enxergar um pouco além. Esse curso veio confirmar o que eu já via na prática. Entendi toda a causa do meu sofrimento profissional.
Logo após terminar o curso fui ser mãe, e exercer o trabalho mais completo, sublime, e difícil que existe. Quem foi mãe em tempo integral pode fazer qualquer coisa na vida (isso não é levado em conta nos processos seletivos)! Nesta época descobri que as idéias constantes que minha mente tinham eram classificadas como "empreendedoras". Eu tinha uma mente "empreendedora". Tinha idéias incríveis com tudo o que vivenciava no dia a dia. Algumas continuam latentes.
Vou tentar não me alongar mais, apesar de ser esse um "desabafo" acreditando ter o direito de escrever o quanto quiser.
Meu momento atual: depois da maternidade (meu filho já fez 4 anos), fui fazer inúmeros cursos dentro de minhas áreas de interesse; pintura em tela, desenho, empreendedorismo, gestão de marketing e mídias sociais (e tudo implícito e relacionado), gestão comercial, sempre atualizando-me no inglês, neuromarketing, adwords pelo Google, SAC 2.0, fotografia, e visto vídeos, palestras, notícias, e tudo relacionado à área do marketing, comércio, tecnologia, arte, empreendedorismo, astronomia, e uma paixão da vida toda, a espiritualidade. Agora estaria bem preparada para ser uma "grande profissional".
Agi pela minha intuição, mesmo tendo aprendido na gestão de pessoas que estudar tudo o que você gosta lhe caracteriza como uma pessoa sem foco. Pecado capital para seu Currículo! As pessoas tem que focar em apenas uma coisa, uma especialidade. Mas quem consegue? Para mim uma pessoa assim é "tapada", limitada, chata! Passei muito tempo em conflito pessoal por achar que o padrão social e profissional aceitável é ser limitada. Mas eu não consigo!!! Conhecimento, novidade, novos jeitos de ver e fazer as coisas isso que faz o mundo progredir! Isso que faz a humanidade caminhar.
A revolta: fui recusada em duas vagas por saber demais. Sim, isso mesmo. As duas na área de marketing digital e SAC 2.0. A primeira, percebi claramente que eu era mais bem preparada até que o dono da loja. Senti que ele achou que pelo meu preparo sairia mais barato um estagiário de 19 anos. Isso percebe-se pela qualidade "limitada" que o e-commerce continua. O salário nem cheguei a saber qual seria!
Agora essa última foi f%*+!!!! Uma pequena startup de marketing educacional. Passei por todos as fases da entrevista; fui elogiada pela minha redação, desenvoltura, pensamento rápido. Me testaram num primeiro posto (meio telemarketing sabe, aff!), mas eu não estava ali para aquilo. Passei para o SAC. Tinha metas para ultrapassar. Estava feliz da vida, cada dia meus gráficos de agilidade e bom atendimento aumentava mais. Era meio massante, não tinha o uso de criatividade, mas tudo o que me proponho a fazer, é para fazer bem feito. Estava feliz demais com meu desempenho. Mas meu colega de setor que estava lá há mais tempo, sempre comparando nossos gráficos e o meu desempenho maior que o dele chegou para mim e disse: - eles estão testando você, pois meu cargo aqui é garantido, não tem como eu sair daqui. Aahãm .. Achei o comentário sem propósito, mas fiquei quieta. Eles é que incentivavam a competitividade. Eu só competia comigo mesma. E estava feliz demais fazendo um ótimo trabalho. No dia da reunião de análise (15 dias depois de começar) fui dispensada com a desculpa que a empresa ainda é pequena para a minha capacidade. Naquele momento eles não comportavam as minhas habilidades (como se cada habilidade ou esforço à mais fosse custar um salário à mais), talvez quando a empresa crescer mais me chamem. E não, não havíamos falado ainda em valores de pagamento. Aí saí de lá muito p$#@ da vida!!!!!
Imagine um país como esse onde você não pode ser mais, tem que ser menos para ser aceita por uma empresa, um gestor. Aqui você tem que está dentro do "padrão". Um padrão medíocre, mesquinho, ultrapassado. E os egos sempre estão acima dos interesses das empresas. Como construir assim um país empreendedor de futuro???
Quanto ao meu prolema, descobri que não sou um E.T. O que tenho é simples e cada dia mais comum entre os jovens e chama-se: personalidade de multi-talentos. E sim, sem falsa modesta.
- Pessoa que tem muitos talentos; que ou aquele que tem muitos dons, muitos dotes ou habilidades; pessoa muito criativa ou de múltiplas criações; multi-habilidoso; superdotado; gênio.
- Conjunto de múltiplas aptidões de ordem intelectual, manual,artística etc.
Por: Ana Patricia Vilanova
Multi Talento
anapatriciamvp@gmail.com








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